Utopia

preciso reconhecer que a universidade contemporânea tem vivido de ideologias, e que ela precisa, urgentemente, construir sua utopia. Refiro-me à utopia no sentido etimológico que inspirou a Thomas Morus essa palavra, pois a universidade verdadeira não está hoje em lugar nenhum, mas a nossa imaginação exige que ela comece a existir em algum lugar. A diferença entre a utopia de Morus e a de nossos dias, é que aquela era uma libertação da realidade pela fantasia, e esta representa uma construção ideal, imposta por uma fantasia generosa à precariedade do presente. Não se trata mais de um mundo impossível, mas de uma possibilidade que se torna efetiva na medida em que estejamos dispostos a desentranhá-la das agruras do mundo atual pela lucidez e pela coragem. Ela constitui, apenas, uma outra forma de realismo." (DTM, A universidade e sua utopia, p. 225)

  

"Na realidade, o de que precisa a universidade é substituir a mitologia pela utopia: os pequenos mitos renitentes, através dos quais se operou a transposição do símbolo para a realidade, por um ideal que será tanto mais realista quanto mais transcender as limitações medíocres das contingências imediatas. Como toda instituição que se preza, a universidade precisa ter a sua utopia, o seu projeto, a idéia que unifique e dirija todas as suas energias, o devenir voltado para o futuro. O que significará para ela sair de sua incapacidade, de sua estagnação dispersa, de sua diluição no dia-a-dia." (DTM, Subsídios para o plano de reforma da UFBa, p.98)