Pluralismo

"A tolerância intelectual, o tempo e o método redutor, que evita a eiva da má consciência ideológica, são os fatores de uma universidade do pluralismo, nos tempos de controvérsia, dos cortes culturais, como são os nossos tempos." (DTM, Governo da universidade, p.75)

  

"Pois, das duas, uma: ou a universidade será um órgão do pensamento racional, ou será um instrumento da Vontade do Poder. Quando é utilizada como linha auxiliar da política ou do esforço revolucionário, como, de resto, aconteceu com a universidade criada por Napoleão ou com as tentativas desmoralizantes do nazismo, hoje repetidas pelo comunismo, ela é destruída na sua vocação. O arbítrio político, fazendo tábula rasa das suas preocupações científicas, força-la-á a converter-se em instância justificativa da Vontade do Poder. Tal situação define o regime ditatorial no último degrau de corrupção. Só podemos entender a universidade com o esforço da inteligência para superar todas as suas limitações. Para isto, ela deverá ultrapassar também todas as facções; para ser universal na compreensão da totalidade, ela deverá tornar-se universal pela reunião de todas as perspectivas. Por isso ela é, sobretudo numa cultura polêmica como a nossa, essencialmente pluralista." (DTM, Subsídios para o plano de reforma da UFBa, p.87)

 

 "O conflito de vontades dentro da universidade representa, em grande parte, um choque ideológico, no sentido amplo da palavra: entre esquemas de valores, opostos pela diferença de gerações ou pela luta política. Ora, será utópico supor o consenso por sobre essas divisões intransponíveis. Mas o que se exige de uma universidade que queira permanecer fiel ao seu destino é que situe essas divergências, dentro dela, ao nível de seus objetivos próprios e as reduza, quanto ao conteúdo da problemática e quanto aos métodos usados, ao espírito e à metodologia universitária. O que não se justifica é a instrumentação da universidade para a dominação de pessoas, de grupos, de classes e de concepções políticas. Deve-se entender a dominação como a projeção de interesses não-intelectuais, e como propósito de destruir o pluralismo pelo monopolismo." (DTM, Subsídios para o plano de reforma da UFBa, p.85)