Expansão

"A expansão do ensino superior só será legítima se se processar sobre um lastro de qualidade, de efeito criador no sentido keynesiano. Fora isso, o que se faz é emitir sobre o vazio, é inflação negativa. A economia keynesiana defende a inflação criadora de riqueza pelo efeito multiplicador do investimento. Por outras palavras, o investimento precedendo à poupança, que ele terminaria por criar a longo prazo. É isso, porventura, que pretendem os inflacionistas, isto é, os defensores da falsa expansão educacional no Brasil? Imaginam que a educação, agora falsa, adquirirá consistência com o tempo? Esta aí uma ilusão que nem a teoria nem os fatos justificam." (DTM, O planejamento educacional no Brasil, p.133)

  

"Estamos assistindo ao alargamento crescente de uma faixa de privilegiados de classes liberais, sob a alegação de que vão servir ao País quando, na maioria dos casos, estão em busca de um status profissional e econômico que serve a eles próprios, e relacionado com serviços para as elites de que eles saíram ou em que pretendem ingressar. O diploma universitário, de acordo com o contexto, apresenta o caráter antes segregacionista que integrador, não por culpa dos estudantes ou dos profissionais em que eles se tornam, mas pela falta de um projeto democrático de desenvolvimento." (DTM, Existe uma filosofia da educação brasileira?, p.88)

  

"Essa econometria da observação representa uma das duas formas de abordagem matemática das necessidades educacionais - ou, genericamente, sociais; a outra é a matemática linear, aquela que afirma: de acordo com as estatísticas, há na Suécia 1,04 médicos para cada mil habitantes; no Brasil, onde a proporção é de 0,45 para 1.000, precisamos vencer esse gap para alcançar o nível ideal. Ou aquela que diz: há necessidade de médicos no interior da Paraíba, ou do Ceará, e reduz essa necessidade a uma operação aritmética, que consiste em multiplicar o número de médicos, que são exatamente os que não vão para o interior. A razão que os impede de ir é posta de lado, o que se quer, encarniçadamente, é fazer mais médicos, sob a inspiração da matemática linear. É preciso insistir nesse ponto tão reiteradamente focalizado neste artigo: o problema da formação de médicos não é o de formar médicos - como se isso fosse um fim em si mesmo - mas o de oferecer serviço médico - que é parte de uma política social - e o primeiro cuidado teria de recair sobre a implantação de condições que possibilitassem tal serviço." (DTM, Expansão do ensino superior, p.230)