Desenvolvimento

"O desenvolvimento, com efeito, não consiste no simples movimento linear da sociedade, mas na realização de um projeto cuja interiorização na consciência dos que a integram e cuja viabilidade, através dos instrumentos que esta consciência promove, constituem o objeto da educação." (DTM, Fenomenologia do processo educativo, p.140)

 

"Quando nem a expansão industrial, nem a estrutura política chegam a dar-lhe certo grau de solidariedade social, o desenvolvimento será a aventura isolada de classes ou grupos dominantes, movendo-se nos espaços vazios que separam as classes sociais e as regiões do País - os desenvolvidos ao lado dos subdesenvolvidos ou, em suma, as diversas categorias que, dentro da mesma sociedade, têm diferentes, e às vezes, antagônicas aspirações e direitos, e estão investidos em diferentes graus de autonomia e responsabilidade, como pessoa e cidadão. Se se aliena parte do povo da possessão plena dos instrumentos de sua inserção na sociedade, é claro que os próprios instrumentos se debilitam e são relegados a uma situação de inferioridade. Isso vale dizer que se a maioria não conta para a construção da cidade, não há por que refinar os instrumentos com os quais ela deveria contribuir para tal construção. Entre eles, a cultura e a educação." (DTM, Tecnocracia e formas de poder, p.9-10)

 

"No Brasil, quando o impulso do crescimento atinge as estruturas vigentes, elas se recompõem sobre os mesmos alicerces através de soluções paliativas que se caracterizam 1) pelo sentido emergencial e 2) pelo sentido aumentativo ou encurtado; dessa forma, as crises perdem a sua fecundidade, atraindo soluções que, a longo ou curto prazo, só poderão agravá-la. Porque o que é preciso não é aumentar o quadro institucional, mas substituí-lo por outro." (DTM, Educação de adultos. Conferência - mimeo.)

 

"As articulações exigidas por um novo tipo de sinergia social desencadeado pelo processo científico e industrial, e mais a ascensão progressiva dos níveis de qualificação técnica e profissional, visam a conferir às principais instâncias elaboradoras dos 'modelos de ação', entre elas a educação, a condição de práxis criadora e normativa do desenvolvimento." (DTM, Para uma filosofia da educação fundamental e média, p.90)

 

"Somos um país onde a maioria das pessoas são, ou a-didatas, ou têm formação intelectual e profissional incompleta (aliás, toda formação é incompleta, no sentido de saber inacabado). Com estes é que contamos para as tarefas de nosso desenvolvimento. Entretanto, se devemos evitar o idealismo farisaico que ignora a realidade brasileira, devemos igualmente fugir ao realismo pedestre que só descobre na realidade condições impeditivas ou limitadoras - contentando-se com elas - e não as condições permissivas das quais deve originar-se o esforço para transformar a própria realidade." (DTM, Indicações para uma política da pesquisa da educação no Brasil, p. 492)