Desenvolvimento cultural

"O Brasil é um país que precisa criar atalhos para alcançar depressa o futuro. Muitos imaginam o progresso cultural e social como uma escada - a mesma a ser percorrida, e com o mesmo ritmo, por todos os países, como se um povo jovem, contemporâneo do foguete interplanetário, tivesse de começar pela carroça. Essa teoria está praticamente rejeitada pela ciência moderna, depois de demonstrações, como a de Leslie White, antropólogo americano, de que a cultura evolui aos saltos, e como é possível que cada sociedade se beneficie do progresso das outras. Os países jovens precisam desvencilhar-se de qualquer dependência cultural, ensaiando o seu próprio vôo, como já fez o Brasil em Arquitetura, em Música, em Literatura. Devemos começar da altura em que se manifestam as necessidades sociais e as possibilidades da ciência. Devemos ingressar decididamente na era da educação permanente." (DTM, Um novo mundo, uma nova educação, p. 16)

  

"Se essa cultura não se expande, como é da vocação de toda cultura autêntica, arrastada pelo interesse de problemas que são essencialmente interligados, ou pelas necessidades de confrontação de experiências, de idéias, cuja falta levaria o País a uma espécie de "autismo", a um pensamento e uma linguagem não-comunicantes, a caminho do mais completo definhamento; se nos atravessarmos no caminho dessa expansão e violentarmos seu fluxo natural, se fecharmos as portas de casa, por um impulso de ressentimento "nacionalista", por explosões de complexos de inferioridade que querem afirmar a independência cultural pelo arbítrio abusivo e ingênuo, e decretar contra a natureza das coisas; ou, por uma falta de visão do que deveria ser o processo a que tenho aludido, de fundir a inteligência brasileira à vida brasileira, com os meios adequados de reagir contra a alienação e de corrigi-la - então estaremos praticando mais uma dessas impaciências brasileiras que perdem a medida das coisas e os compassos da sabedoria e do realismo; mais uma dessas distorções culturais e históricas de que temos tantos exemplos, corrigindo sempre por um estranho movimento pendular um artificialismo com outro." (DTM, Comunicação cultural na América, p.22)