Comunicação cultural

"A intelligentsia brasileira identificou, no início de sua formação, a atividade intelectual como atividade rara, incomum; e, por um processo natural, o intelectual deixou, na medida do possível, de ser social, passou a ser um isolacionista, guardando em segredo as suas fontes de informação para que não se socializassem - e não se quebrasse o feitiço, a incomunicabilidade, a solidão esotérica que era a fonte de seu prestígio. Nisto reside uma das principais causas do comportamento não-comunicante do intelectual e do pesquisador brasileiro." (DTM, Comunicação cultural na América, p. 17)

   

"Esperar produzir o interesse de um país pela cultura de outro, como conseqüência de procedimento e gestões políticas, é admitir, funestamente, uma extrapolação que, normalmente, não se pode verificar. A política de intercâmbio cultural terá de encontrar razões de interesse nos próprios valores culturais de cada país do Continente. Só a convicção quanto ao merecimento intrínseco da produção intelectual de um país é capaz de torná-la apreciável, de forma eficaz e permanente, aos olhos de outros países. Ora, a nossa orientação tem sido outra: a de pretender angariar o apreço cultural para os nossos países como conseqüência da harmonia e da amizade política. O fato é que continuamos a ignorar-nos, solenemente; a subestimar o trabalho e a inteligência uns dos outros, sem os conhecermos e por o não conhecermos." (DTM, Comunicação cultural na América, p. 10)