Atuação de Durmeval
na
Faculdade de Educação da UFRJ
Gilda Maria Freitas Benevides Soares
Professora Titular da Faculdade de Educação / UFRJ


          Pretendo que seja muito mais como amiga do que como chefe do Departamento de História e Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da UFRJ, o depoimento que faço sobre Durmeval.

          A este departamento ele pertenceu desde 1980, quando retornou à atividade acadêmica no ensino público como Professor Titular da UFRJ.

          Conheci Durmeval Trigueiro pessoalmente quando ele se apresentou à Faculdade, após 11 anos de afastamento compulsório pelo AI-5. Confesso que receei conviver com alguém que conhecia apenas pelas idéias expostas em livros e artigos, e que era considerado um expoente no campo da Filosofia da Educação. Que mudanças provocaria? Seria difícil a convivência? Pretenderia impor um direcionamento filosófico?

          Durmeval chegou sem alarde e logo as minhas indagações caíram por terra. Interessado em lecionar, seu caminho foi logo direcionado para as atividades de pós-graduação, particularmente para o Curso de Doutorado em Educação Brasileira, onde seu saber doutoral encontrou campo fértil. Foi, porém, sobretudo para a pesquisa que Durmeval se orientou. As questões relativas ao "saber e poder na cultura e na educação", a investigação sobre o "pensamento educacional no Brasil, no presente e no passado", sob os enfoques filosófico, histórico e sociológico, foram trabalhos a que se dedicou até 1987, quando se engajou como consultor na pesquisa "Da Faculdade Nacional de Filosofia à Faculdade de Educação: resgate de uma história", coordenada pela profª Maria de Lourdes Fávero.

          No curso de Doutorado em Educação Brasileira, foi orientador de numerosos alunos e participou de diversas bancas de doutoramento, sempre demonstrando seu amplo conhecimento na área de Filosofia da Educação.

          Ignorada por muitos porque só conhecida pelos professores do Departamento de História e Filosofia da Educação, foi notável sua contribuição para o aperfeiçoamento de seus professores, participando ativamente das disciplinas e seminários internos do Departamento.

          Sua falta no Departamento é inestimável, pois, tanto ou mais que a figura do Mestre, despontou a pessoa do Homem, extremamente honesto, íntegro e comprometido com o seu pensamento, sem se desviar da trajetória que definiu sua vida e, no entanto, condescendente com as idéias dos outros, capaz de sintonia total com os que o cercavam.

          O departamento de História e Filosofia da Educação sofreu uma perda irreparável, deixando cada um de seus professores de conviver com o Mestre e Amigo Durmeval Trigueiro.



In: Universidade Federal da Paraíba. Concepção
do educador e da universidade.
João Pessoa: UFPb, 1988. p.87-88.